Thursday, March 30, 2006

Adeus gafas

E já está. A lasik foi um instantinho, coisa de dez minutos na mesa de operações. E nem sequer foram daqueles dez minutos que duram uma hora. Foi mesmo simples, e até agora está tudo a correr bem.

Fui operado ontem, lá para as 14h30. O pessoal da clínica todo simpático e acima de tudo muito profissionais. Começaram por betadinar a zona à volta dos olhos, e ir aplicando gotas de anestésico. (não senti nada do anestésico até bem depois da operação) Enquanto esperava, estava a ouvir no fundo do corredor outro paciente a ser operado; só o laser a disparar, nada de gritos de dor lancinantes.

Fui dali para a mesa de operações, pelo meu pé — o que não deixa de ser fora do normal. A mesa era toda high-tech, com aspecto tipo túnel de MRI menos imponente; imaginem um túnel de MRI, só com a metade esquerda do túnel e com profundidade praí do topo da cabeça até ao início do braço. Pronto, não era bem um túnel de MRI até porque não fazia barulhos de rail gun, mas o material é parecido. Se bem que os equipamentos médicos têm todos aquele aspecto…

Confortavelmente deitado na mesa, fizeram as últimas observações, acertaram os parâmetros da máquina, explicaram-me o procedimento, e taparam-me o olho esquerdo. Foi só nesta altura que comecei a ficar tenso. Ainda procurei qualquer coisa para agarrar. Ainda bem que não tinha, porque acho que se a mesa de operações tivesse braços para eu agarrar, durante a operação tinha arrancado uma peça qualquer.

O cirurgião colocou uma pinça para manter a pálpebra aberta. À partida, achava que isto me iria fazer impressão, mas não faz nada. Depois, seguraram-me o olho com um anel, e encostaram por cima o microqueratoma (não sei se se diz assim em português). Esta parte é esquisita, porque aplicam sucção no olho para o puxar um pouco para fora e poderem cortar a córnea. Por causa da tensão no nervo óptico, deixa-se de ver. O cirurgião avisou antes, disse que o tempo de corte iria ser de dez segundos (foi muito menos). É nesta fase que se arranjam os derrames capilares que depois nos dão um ar de frankenstein por uns dias, por causa da pressão aplicada no globo ocular. Já agora, quando disse que não senti a anestesia, queria dizer que não senti qualquer efeito secundário da anestesia (ainda). O corte não me doeu nada, e supostamente a córnea tem nervos de dor.

Feito isto, está a parte complicada da cirurgia feita. A haver erro, é na fase de corte. Eu estava a estranhar ver tão bem sem parte da córnea. Passa-se o tempo todo a olhar para um laser a piscar em cima de nós, e aquilo até estava relativamente focado tendo em conta a minha meia dúzia de dioptrias. Estava a ver bem, porque ainda tinha a córnea toda direita! Só depois é que o cirurgião levantou o farrapo de córnea que o microqueratoma cortou. Flipanço completo! O laser, uma luz minúscula, passou a ocupar praí 80% do meu campo de visão, com uma forma não redonda, mas oblonga. Esquisito mesmo!

Depois começou a disparar o laser. Trinta e tal segundos, estes sim parecem mais. Cheira claramente a carne queimada — carne não, qualquer coisa entre carne esturricada e pelos queimados. O laser que queima não deve ser visível, ou pelo menos eu não o vi (ainda bem, agora que penso nisso, senão era porque estava apontado à retina. Espertos, os gajos que fazem as máquinas…). O laser guia que fica lá sempre a piscar e que nesta fase tinha uma forma oblonga, durante os disparos vai mudando de aspecto, assim de forma psicadélica. Quando os disparos acabaram, a forma psicadélica do laser era perfeitamente circular.

O cirurgião então lavou o olho com soro, e recolocou o farrapo (termo técnico inventado por mim) de córnea no sítio. Nesta fase estava a ver a sala melhor do que quando entrei sem óculos, tirando o facto de estar com a visão toda turva. Taparam-me o olho direito, e torturaram-me (mentira, estou a brincar) o esquerdo.

Vendaram-me com um penso grande, e levaram-me, tipo ceguinho, para uma sala de espera. Quando digo levaram-me tipo ceguinho, estou a dizer que fui pelo meu próprio pé, vendado e com a mão no ombro da enfermeira. Não percebo de que diabo de material é feita a córnea, mas garanto que fiquei admirado em não me terem caído os olhos naquele percurso. Já agora, fiz praí dez metros, e tive a sensação de ter percorrido a pé a clínica toda…

E pronto, meia hora na seca. Os olhos não me doíam, apesar de durante a meia hora ter começado a sentir algum desconforto. Assim, tipo ter uma areia no olho. Deram-me uma caixa, duas coisas que pareciam envelopes, e dois papéis. Não tinha nada para fazer, primeiro comecei a tentar fazer uma chamada com o telemóvel — não consegui :-P — e a tentar descobrir que eram os items:

  • Duas palas para os olhos, para dormir, que obviamente não identifiquei
  • Uma receita, que identifiquei pelo tamanho
  • Uma folha A4 de instruções, que obviamente era impossível de saber o que era
  • Um frasco de gotas, que ainda me deu a diversão seguinte de perceber como é que se abria. Era anestésico, mas isso eu não conseguiria descobrir…

Mesmo assim, aquela meia hora é uma seca. Era fixe terem uma sala com música e camas. Mas pronto, passou e fui dali para uma consulta para verem se estava tudo bem. Durante a meia hora, o meu corpo apercebeu-se que tinham feito qualquer coisa aos olhos, e passou-se. Comecei a chorar como nunca me tinha acontecido. Uma corrente contínua de água. O penso ficou encharcado, e dali até casa larguei tanta água que cheguei a casa com sede de perdido no deserto que encontra um oásis.

Estava tudo bem, a córnea estava no sítio (eu jurava que tinha caído quando bati na porta da sala de espera), não havia pestanas lá perdidas e finalmente a médica deixou de me apontar a luz para dentro do olho. Estava a começar a ter os primeiros sinais de fotofobia, e aquilo assim dói como o caraças. Também comecei a sentir de facto a anestesia. A melhor descrição é que é igual a ter os olhos pesados de sono, mesmo naquela fase em que já não se consegue focar nem olhar fixamente para um objecto. Nesta altura ainda não estava muito mal, e ainda fui fixe até ao carro, encontrei-o bem no estacionamente. Mas já não consegui estar na rua sem óculos de sol (e até estava um dia de chuva).

E pronto, fui para casa, ainda tive que ajudar a minha mãe a sair do centro do Porto (Nota mental: se alguma vez se perderem de carro, e o passageiro do lado estiver semi-ceguinho, parem e perguntem a alguém na rua o caminho). A chorar que nem um perdido, e por esta altura com uma fotofobia que me impedia de abrir os olhos. Para não dizer que de cada vez que lá conseguia abrir os olhos saía uma cascata de lágrimas pela cara abaixo.

A fase pior é a seguinte, mas não tem muita história. Estive praí quatro horas deitado num quarto escuro com óculos escuros e mesmo assim não conseguia abrir os olhos. Desconfortável, mas ainda consegui dormitar um bocado. Depois disso, já me pus a pé, ainda vi um DVD e fui tomar café à rua. Visão algo desfocada e algo borratada, mas perfeitamente usável. O desconforto era, ontem à noite, e é hoje semelhante a estar com lentes de contacto semi-rígidas.

Hoje, já acordei a ver melhor. Tenho menos halos, e está tudo mais focado. Já fui a conduzir à consulta, já ando fixe sem óculos escuros desde que o céu esteja encoberto. Ao sol ainda tenho que andar estiloso :-P Consigo ler as letras todas excepto a última linha, sem óculos o que é um gozo incrível. Mas o gozo mais incrível é um destes dois (ainda não decidi qual):

  • Pensar que me estou a esquecer de qualquer coisa. Carteira, telemóvel, chaves. Ah! Esqueci-me dos óculos! :-)
  • Passar em frente a um espelho e ver um gajo diferente do costume do lado de lá…

Também é fixe o campo de visão adicional. Usa-se óculos tanto tempo, que já não se dá valor aos 30 graus de campo de visão que os óculos roubam. É fantástico não ter de virar a cabeça (sim, sou preguiçoso).

E pronto, resta-me agradecer ao pessoal que mandou SMSs. Peço desculpa por só ter respondido hoje, mas ontem custava-me mesmo olhar para o telemóvel.

Agora, a guerra seguinte é com a AXA, mas essa fica para outro post.

Posted by K in 19:34:41 | Permalink | Comments (10)

Friday, March 10, 2006

Manias e assim

Também fui alvejado pela saga das manias. Se não escrevo por mais razão nenhuma, que escreva por blog memes

Lá está, se são manias, são pequenas coisas e são coisas que faço sem me dar conta. Não é inteiramente simples. Vamos lá a tentar:

  1. Tenho a mania de me abstrair completamente, e sem avisar, de uma conversa quando ela não é interessante. Nessa altura entretenho-me a observar coisas fora do comum no meu interlocutor(a). Trejeitos de boca, risos fora de tempo, essas coisas.

    Ah, e até disfarço bem… :-)

  2. Suborno-me a mim próprio. Tipo, se tiver que ir ao dentista, auto premeio-me (premeio-me ou premio-me???) com qualquer coisa fixe no mesmo dia.
  3. Cumprimento todos os cães na rua, desde que as donas ou os donos não me rosnem. Esta só me dei conta numas férias há uns anos. Desde então acho que larguei um pouco o vício.
  4. Como fabulosamente depressa. Este vício ficou-me de quando comia depressa para ir jogar futebol depois de almoço no ciclo preparatório. Nunca passou. Hoje em dia dizem-me que começo a digestão antes de entrar no restaurante, para ter tudo pronto para quando como.
  5. Esqueço-me…

Continuem e comentem aqui. As regras são estas.

Posted by K in 19:33:03 | Permalink | Comments (1) »

Friday, March 3, 2006

So true

For the record, on the emacs <-> vi holy war, I’ve been an emacs user for about seven years. A couple of years ago switched to vi. These graphs hit very close to home:

Posted by K in 15:51:14 | Permalink | No Comments »