Wednesday, October 18, 2006

3º Encontro de Weblogs

Ainda não escrevi sobre a minha participação no 3º Encontro de Weblogs. Ando sempre a correr, mas este evento mais do que merece ficar blogado para a posteridade.

Fui convidado para o painel de empresas prestadoras de serviços, juntamente com a Maria João Nogueira, que lidera o projecto de blogs do [portal] Sapo, e João Coutinho do Aeiou. Também estava prevista a presença da Weblogs SL, que infelizmente não foi possível. Um agradecimento ao Sérgio Nunes pelo convite, e desde já parabéns pela organização do painel.

Antes de mais, despachar os dois pontos negativos: O primeiro é que estava com vontade de ouvir o pessoal da Weblogs SL, porque têm um modelo de negócio extremamente interessante, que não existe em Portugal. Fazem nanopublishing que é uma palavra cara para dizer que fazem o papel de editores no mundo dos weblogs. Com isso conseguem juntar autores de grande nível, e obter a notoriedade, a marca de qualidade e a recompensa financeira que o acrescento de valor lhes merece. O valor acrescentado deles, ao contrário do nosso, não é tecnológico, é social, e só por isso são para mim mais misteriosos e mais interessantes. Por serem completamente diferentes do resto das empresas que estavam no painel, dariam concerteza um contributo importante.

Depois, sem desvalorizar o João Coutinho, acho uma pena que o Paulo Querido não esteja envolvido no processo de transição do weblog.com.pt. Estar envolvido, no caso dele, implicaria estar presente nestas acções públicas. Muito claramente, quem conhece melhor a plataforma ainda é o Paulo Querido.


Quanto ao painel em si, gostei muito. Gostei, por conhecer as pessoas do meio. Deu para perceber as motivações de cada um. O Aeiou está ainda a passar as dificuldades de escala inerentes a um serviço desta dimensão. Não é trivial debitar 5Mbps de cada servidor com conteúdo dinâmico, e já todos passámos pela experiência (na Portugalmail, felizmente, antes de começar o projecto do blog.com, o que permitiu evitar o erro). Na intervenção da Maria João Nogueira, confesso que o ponto mais relevante e que mais me surpreendeu foi a declaração de que o serviço de blogs não tem uma vocação lucrativa.

É profundamente estranho que uma empresa, ou um departamento de uma empresa não sinta a necessidade de ser lucrativo. Eu compreendo que os blogs do Sapo são provavelmente lucrativos, mesmo que em funny money (i.e. eixos não tangíveis). O Sapo assume uma postura de walled garden, semelhante ao que a AOL fez nos anos 90. Devo dizer, pelo que vejo da generalidade da população em Portugal, que a estratégia até funciona. Para muitos, a internet é o portal Sapo. Nessa óptica, faz sentido ir cobrindo todos os serviços que surgem na net dentro do jardim fechado. Os utilizadores eventualmente darão dinheiro verdadeiro com serviços como o ADSL, ou publicidade, ou outra coisa qualquer.

O que me faz confusão, é que mesmo o funny money costuma contar-se em euros. Nada é completamente intangível (excepções para o amor e a felicidade, pronto...), e se um utilizador de blogs tem uma determinada probabilidade de se converter em pagante de outro serviço qualquer, então o blogs.sapo.pt é uma ferramenta de marketing, e pode ser colocado como custo de marketing. Este tipo de contabilidade interna permitiria justificar a despesa, e até quem sabe aumentar a equipa. E sem dúvida que me choca que não se faça contabilidade interna numa empresa como a PT. Como será na era Belmiro?

Ainda houve alguma discussão sobre se os prestadores de serviço deviam censurar blogs de cariz sexual, erótico ou mesmo pornográfico. A questão é delicada porque este foi um problema que afectou a primeira versão dos blogs do Sapo. Não sei se a colocação da questão foi inocente ou não. De qualquer forma a questão para mim é perfeitamente clara: Não cabe ao prestador de serviço o papel de guardião moral. Obviamente é necessário actuar dentro da legalidade, mas no campo da moralidade a melhor posição é dar à comunidade os meios para fazer um papel de edição básica, sem nunca restringir o direito à publicação. Posso acrescentar agora que os blogs de cariz sexual rendem consideravelmente menos em publicidade e em serviços premium, pelo que não nos são muito atractivos. De qualquer forma, não dão prejuízo pelo que nem sequer existe motivação económica para os silenciar.

Só hoje vi os comentários ao post do Karlus sobre a sessão. A resposta vale um post, mas vai ficar para mais tarde, porque este já vai num lençol-post.

Posted by K at 16:38:12 | Permanent Link | Comments (0) |